Shoreditch, London

Shoreditch, London

Depois de uma parada técnica, o corpo está de volta em nova fase.

A arte sempre está presente na vida daquele que a tem. Algumas coisas foram vistas neste interim e serão em breve comentadas nesta nova temporada – o terceiro ano do blog:

  • London Art Fair 2014
  • Exposição Surrealism and the Object no Centro Pompidou, em Paris
  • The Girl of the Zeitgeist, uma atualização
  • Prof. Jacinto Lageira em Londres
  • Pangaea: Arte latino-americana e africana na Saatchi
  • Thierry Noir
  • Últimos pensamentos sobre Banksi

E outros assuntos. Aguardem.

Uma semana antes do fim da exposição histórica de Mira Schendel na Tate Modern, em Londres, escrevi resumidamente por que esta mostra pode ser considerada um êxito. A presença da artista foi algo controvertido, ou até enigmático; os rótulos em torno dela se alternavam: “latino-americana”, “suíça”, “judia emigrada no tempo de guerra” e, por último, “brasileira”. A exposição pode ter tido seus defeitos, mas é, sem dúvida, uma homenagem justa a uma artista tão difícil quanto interessante.

  • No geral, recepção da mídia foi de surpresa e curiosidade, a saber se pelo peso dado pelo Museu, que a trouxe como sua principal vitrine por mais de quatro meses. Este apoio deve-se sobretudo à pessoa do crítico Sir Nicholas Serota, um recente descobridor da “arte latino-americana”, se esta existir; e incentivador de parcerias, como a que está em curso com a Pinacoteca do Estado de SP (a exposição virá ao Brasil em breve).
  • Entre os grandes veículos, o Guardian foi um dos mais entusiastas: “Seu trabalho é belo, melancólico, peculiar e tão delicado o que pode voar com a respiração”; o Independent apresentou uma matéria detalhada sobre a sua obra, contextualizando-a dentro do período correto, até enviando uma correspondente ao Brasil para conversar com familiares e entender a “mulher” Schendel.  “Ela foi uma grande figura” na América Latina (o que é discutível) e “incrivelmente desconhecida no Reino Unido”, disseram. A BBC a chamou de “extraordinária”.
  • Embora Schendel seja uma artista brasileira, fato que coexiste com seu nascimento e educação no exterior, sua origem foi diversamente reivindicada. Me refiro aos pequenos veículos voltados às comunidades estrangeiras, comuns aqui. Por exemplo, o latinosinlondon.com a apresentou com tanta ferocidade a “latinidade” da artista, enquanto o culturart.org.uk, um site de brasileiros em Londres, a vendeu como legitimamente “brasileira”. Na verdade, a sua arte era o menor dos assuntos nestes veículos.
  • Outro ganho da exposição, talvez, tenha sido ampliar a presença da obra de Schendel no circuito global. Muitos meios esqueceram, porém, que essa expansão iniciara no Moma, em Nova York, em 2009, com a exposição “Tangled Alphabets”. Nesta ocasião, a qual a artista compartilhou a cena com o argentino León Ferrari e, mesmo não sendo uma mostra solo e “escondida” no último piso do prédio, sua aparição também soou estridente. Curiosamente, Schendel também está no último andar da Tate, apenas.
  • Falando em ganhos, a Hauser & Wirth, importante galeria londrina, anunciou que representará o espólio da artista a partir de agora, o que significa um ciclo de visibilidade nas outras unidades deste representante, incluindo Zurique e Nova York.
  • Os ganhos não são apenas da artista. O banco Itaú lançou uma promoção no site da Tate Modern sorteando uma viagem ao Brasil. O destino era o Rio de Janeiro, supostamente um “cenário próximo a Mira Schendel”, como diz o anúncio, por onde, aliás, a artista teve pouca passagem. Seja como for, os participantes só deverão assinar a newsletter do Museu para concorrer.
  • Conceitualmente, a Tate optou só apresentou a artista pelo nome, sem nenhum recorte específico da obra, como fez o Moma e tantos outros. O que pode ser um acerto, considerando a sua complexidade, mas um erro, se a abordagem deveria ser introdutória. A montagem foi composta de grandes palcos quadrados no meio do salão, percorridos com dificuldade pelos visitantes. Isto engessou um pouco a aproximação com as delicadas obras, o que às vezes remetia a estar diante de uma vitrine da Swarovski. Apesar disso, Mira Schendel na Tate não é apenas mais uma visão profunda da artista, mas uma oportunidade de enxergar a arte do Brasil, ou a arte, fora de fronteiras e estereótipos.

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